Fala com a Vera

Como proteger seus pais de golpes no celular

O golpista não ataca o aparelho — ele ataca a boa-fé de quem atende. Aqui estão os golpes mais comuns contra pessoas idosas no Brasil, como reconhecer cada um, e o que fazer se já aconteceu.

A regra que resolve quase tudo: banco, Receita, INSS e loja nunca pedem senha, PIN ou código por telefone, WhatsApp ou link. Nem para "confirmar", nem para "cancelar", nem para "proteger a conta". Quem pede, é golpe — sem exceção.

Os golpes mais comuns

1. O falso funcionário do banco

"Detectamos uma compra suspeita no seu cartão. Vou te passar para a segurança."

Ele já sabe seu nome e às vezes os últimos dígitos do cartão — foi assim que ganhou a confiança. Depois pede o código do SMS, ou manda um "motoboy" buscar o cartão. Saída: desligue e ligue você mesmo para o número que está no verso do cartão. Nunca no número que ele passou.

2. "Mãe, mudei de número"

"Oi mãe, é o Pedro. Quebrei o celular, esse é meu número novo. Preciso de um Pix urgente."

Funciona porque mistura pressa com afeto — e o idoso não quer decepcionar o filho. Saída: ligue para o número antigo do filho antes de qualquer coisa. Combine em família uma pergunta que só vocês saberiam responder.

3. WhatsApp clonado

"Estou te mandando um código por engano, pode me reenviar?"

O código é a chave da conta dela. Entregando, o golpista assume o WhatsApp e passa a pedir dinheiro a todos os contatos. Saída: nunca repassar código de 6 dígitos, a ninguém. E ativar a confirmação em duas etapas no WhatsApp.

4. Falso empréstimo ou revisão do INSS

"O senhor tem um valor a receber do INSS. É só pagar a taxa de liberação."

Mira aposentado e usa o nome de um órgão público para parecer oficial. Saída: o INSS não cobra taxa para liberar benefício e não liga oferecendo empréstimo. Confira só pelo Meu INSS ou pelo 135.

5. Pix errado e falso comprovante

"Fiz um Pix para a senhora por engano, pode devolver?"

Ou o comprovante é falso, ou o dinheiro veio de outra vítima e a devolução transforma sua mãe em parte do esquema. Saída: conferir o saldo no app do banco antes de devolver qualquer coisa — comprovante não é dinheiro.

6. Link de entrega, prêmio ou promoção

"Sua encomenda está retida. Pague a taxa neste link."

Cresce em novembro e dezembro, junto com as compras. Saída: não clicar em link de mensagem. Abrir o site ou o app da loja pelo caminho de sempre.

Leia em detalhe sobre o golpe do falso funcionário do banco, o mais aplicado contra pessoas idosas — com o roteiro completo e o que dizer na hora da ligação.

Se já aconteceu

  1. Não brigue com a pessoa. Vergonha é o que faz o idoso esconder o golpe seguinte. Quem cai é gente inteligente que foi pega no ponto fraco certo.
  2. Ligue para o banco imediatamente e peça bloqueio e contestação. Se foi Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução — quanto mais rápido, maior a chance.
  3. Registre o boletim de ocorrência, pela delegacia eletrônica do seu estado. Ele é necessário para a contestação.
  4. Se a conta do WhatsApp foi tomada, recupere pelo próprio aplicativo e avise os contatos por outro canal, para ninguém mais pagar.
  5. Em emergência, 190. Se houver alguém a caminho da casa buscando cartão, isso é polícia, não banco.

Se o golpe foi por Pix e o dinheiro já saiu, as primeiras horas decidem: o que fazer nas primeiras horas.

Onde entra a Vera

A Vera é uma assistente que vive dentro do WhatsApp que seu pai ou sua mãe já usa. Não é aplicativo novo, não tem senha para decorar, não tem tela para aprender.

Quando aparece uma mensagem estranha, a pessoa manda uma foto da tela ou pergunta por áudio — e a Vera explica na hora, com paciência, se aquilo cheira a golpe. Se for grave, ela oferece avisar um contato de confiança da família.

O que a Vera nunca faz — porque isso está no código, não numa promessa:

Sua mãe ou seu pai teria alguém para perguntar às 9 da noite?

A Vera responde na hora, com paciência infinita, todos os dias.

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